terça-feira, 14 de outubro de 2008

Se...

Se as paredes do meu quarto pudessem falar, você saberia o quanto eu te amo.
Se meus olhos pudessem dizer, diriam que meu mundo paralelo não é de difícil acesso.
Se meus ouvidos pudessem desejar, desejariam que sua boca não estivesse tão longe.
Se meus lábios pudessem confessar, você saberia o quanto eu te quero.
Se meu coração parasse de acelerar, eu poderia pensar em algo compreensível pra te dizer.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Inconstância

Meus olhos sempre foram assim, evasivos.
Meu coração nem sempre foi assim, apaixonado.

Meu olhar sempre foi assim, invasivo.
Meu apaixonar nem sempre foi assim, irracional.

Meus sonhos sempre foram assim, infundados.
Meu desejo nem sempre foi assim, você.

Meus lábios sempre foram assim, inquietos.
Minha boca nem sempre foi assim, obsessiva.

Meu amor e eu sempre fomos assim, incompatíveis.
Meu amor e eu nem sempre fomos assim, distantes.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Dúvida

Você não é o único que faz meu coração acelerar
A sua boca não é a única que eu beijo
Não é só em você que eu penso

Você virou meu objetivo, minha meta
Mas não o meu amor

Você é o único que eu quero sempre por perto
É o único que pode segurar minha mão
O único que me faz arrepiar só de pronunciar meu nome

Você se tornou meu prêmio
Por que não me disseram antes que podemos nos apaixonar por nossos troféus?



N.A.: Não gosto muito de escrever poemas, mas acabei escrevendo esse. Decidi postar ele porque traduz exatamente o que eu sentia. Sim, sentia. "As pessoas são propícias a mudanças de opinião". E quando seu orgulho iguala a paixão que você sente por uma pessoa nenhum dos dois elementos predomina e você fica confuso. Não sabe nem definir o que você sente, por isso o título.
Relendo agora o poema eu vi que naquele época (algumas semanas atrás) eu já estava confusa. Vide terceiro parágrafo. Ou seja, isso não tem nada a ver com VR Folia *risada rouca**tosse*

sexta-feira, 11 de julho de 2008

amor

Papai tem o ar severo e os olhos frios como os corpos que tem de abrir todos os dias. A boca diminuída pela falta de uso: geralmente, só o vejo articulando palavras quando me manda ir para o quarto.

Mas tenho um segredo: Papai me ama.
Papai me ama em excesso.

Sempre que fala comigo, suas palavras são ásperas.
Quase nunca me olha nos olhos. E quando olha, seu olhar passa por mim como se eu não existisse.
Não sei o porquê de tanto cuidado. Não entendo pra quê tanto amor.
Esse amor doentio.
Isso tudo porque papai me ama demais.

Papai nunca me responde quando pergunto algo.
Fala com as paredes, mas não comigo.
Ele quer me poupar.

Seu ciúme é tão doentio quanto seu amor.
Ele me ama. Ele me ignora. Ele me intimida.
O ciúme de papai é tão grande que chega ao ponto de ele fingir que não se importa comigo.

Eu sei que ele me ama.

Papai admira as mulheres. Mas ama a mim.
Tenho pena delas... Papai gosta delas, mas a ama a mim. Papai tem a elas, mas ama a mim.

Papai tem um amor tão grande por mim que não cabe em seu coração.
Por isso finge. Por isso mente.
Guardar tanto amor o está enlouquecendo.
Por isso finge. Por isso mente.

Vivo querendo chamar a atenção de papai.
Pelas minhas ações ele deve desconfiar... Desconfiar de que não ligo para ele.

Eu não o amo, papai. Você sabia?

segunda-feira, 9 de junho de 2008

...

Você não saberia responder o que estava pensando se alguém perguntasse.Pode ser uma sala vazia.Pode ser um lugar cheio.Ela virá de um jeito ou de outro, é a única coisa que você sabe.Você não está mais ansioso. Ela virá.Você começar a ficar alheio a tudo.Olhando para o nada. O nada te olhando.E de repente, você começa a escutar seus próprios pensamentos. Como se os silêncio os sussurrasse para você.Começa a imaginar cenas e a rir internamente.E você só percebe que está doido quando começar a rabiscar no papel palavras para o seu próximo texto...

sábado, 3 de maio de 2008

Teoria #1 - NERDS dominarão o mundo

Você pensa eles são ingênuos? Parabéns! É exatamente isso que eles querem que você pense. Pode não parecer, mas por de trás daqueles óculos de grau tão alto e aqueles montes de livros de física quântica e química analítica está escondida uma mente nefasta. Muito cativante. Entre raízes quadradas e funções triginométricas há um lista de ações. Possivelmente, o primeiro íten dessa lista, logo abaixo do título "medidas para a dominação mundial", é: mandar mensagens subliminares. Como? Televisão. Não. Uma pessoa comum pensaria nisso, mas não um NERD. Revista (de fofoca) gratuita, além de inútil é grátis. Perfeito, pensaria o NERD. Quem não gosta de saber (e falar) da vida dos outros? E melhor, sem gastar dinheiro nenhum. Você chegaria em casa feliz e pronto para assistir novela. Olharia a revista jogada aos pés da sua porta. Inocentemente você a pegaria para analisar mais de perto. Na capa, o sorriso simpático de algum artista famoso(sim, esses nerds pensam em tudo) te deixaria mais tranqüilo. "Que mal pode haver?", você se perguntaria. Tarde demais! Tomado pela curiosidade, você começaria a folhear a revista. Na primeira página as palavras "fotichin ane ane ito nin" te chamaria a atenção. Mas que, diabos, significa isso?... Bem, lendo-se de trás para fente, podemos ver que não significa porcaria nenhuma. Certo? Errado. É exatamente assim que eles querem que você pense... Até que sua casa estaja cheia de edições dessa revista e você se matando de curiosidade. Quando isso acontecer, eis que surge eles, nerds - seres invejavelmente inteligentes e, alguns, sem muito convívio social. Mas quem liga para isso quando se estar prestes a dominar o mundo?... compreensível - com a resposta. Sim, quando(e se) isso acontecer você terá sido alienado por eles.




N.A.: Algo que escrevi há um ou dois anos atrás... Já era sem noção desde aquela época.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Anestesia

Meu coração ainda está pesado, pesado demais para que eu possa carregá-lo. Meus batimentos estão acelerando mais a cada passo que ouço no corredor.
"Fique tranqüila, esse médico é muito bom", me disseram há algum tempo atrás. Isso não fez meu nervosismo diminuir, mas agora eu sei que Dr. Robson é muito bom.
Estou suando frio. E os enfermeiros que me carregam parecem indiferentes a isso.
Hospital é uma tortura em todos os sentidos que essa palavra possa ter.
O médico me cumprimentou com um aceno da cabeça e começou a me explicar o que seria feito, enquanto colocava as luvas.
O cheiro de éter e ácool não foi minha pior experiência naquele hospital... A visão do bisturi e outros instrumentos começou a me enjoar.
Nunca havia reparado no terror que o hospital me dava até aquele momento.
Se mamãe tivesse dito que me levaria para o hospital como castigo, nunca mais eu teria roubado goiaba da goiabeira da vizinha.
Um enfermeiro colocou uma máscara no meu rosto e de lé saiu um cheiro forte que estava irritando meu nariz.
Eu estava mole e com as pálpebras pesadas. Não iria fechar os olhos e dormir, não agora que me bateu uma coragem inexplicável de assistir a cirurgia.
Dr. Robson estendeu a mão sobre a prateleira de prata onde ficava os instrumentos cirúrgicos mas não pegou nenhum deles. Pegou uma vara de madeira, que até então eu não havia reparado, e pigarreou.
Segui com os olhos os movimentos rápido que ele fazia. Dr. Robson olhava seriamente para a parede atrás de mim e continuava a fazer seus movimentos de maestro com maestria.
"Enlouqueceu, coitado", pensei enquanto mordia um pedaço de maça.
Logo uma música vinda não sei de onde invadiu meus ouvidos. Engoli o pedaço de maça que estava mastigando e, desconfiada, olhei para todos os lados.
Não havia rádio na sala, muito menos uma banda. De onde vinha aquela voz aguda?
Isso tudo é muito estranho, eu sei. Mas não havia nada de anormal naquela sala: material de limpeza, instrumentos cirúrgicos, máquina de radiografia, globo de boate no teto, enfermeiros com nariz de palhaço e o médico... Dr. Robson estava exatamente como eu lembrava: cabelos faltando no meio da cabeça, óculos grosso, calça branca e blusa do Aerosmith.
Mordi mais um pedaço da minha maça e quase quebrei os dentes. Minha maça estava muito dura, muito doce e muito vermelha. Na minha distração não reparei que eu segurava a maça por um palito de churrasco. Alguns dos palhaços devia ter comprado uma maça do amor no picadeiro para mim e eu não reparei e muito menos agradeci. Porque não me trouxeram amendoins? Gosto mais deles.
"Cansei dessa música", disse em voz alta.
Ninguém me ouviu.
"Cansei dessa música", repeti mais alto.
Um dos enfermeiros me olhou com o canto dos olhos e foi repreendido pelos outros.
Ótimo. Eles decidiram me ignorar por eu não ter agradecido pela maça. Só pode ser isso.
"Por favor, poderiam trocar a música?", pedi.
Instantaneamente a voz aguda parou. E vi sair cabisbaixa da sala uma mulher gorda com dois coques no cabelo e um vestido longo e antigo.
"Desculpe", pedi a ela. Mas ela apenas me lançou um olhar mortal e uma risada maléfica.
Um dos enfermeiros deu um salto enorme e pegou um pandeiro. O enfermeiro começou a pagodear enquanto os outros cantarolavam algo sentados da mesa redonda de bar e bebericavam cerveja.
Dr. Robson deu uma giradinha e um sorriso malandro.
"Alea jacta est*", disse Dr. Robson.
"Não entendo latim, Doutor"
"Quid inde?**"
"Yo no ablo tu idioma, Dr. Robson"
Dr. Robson dava pontos em mim com uma habilidade ímpar. Era quase tão habilidoso quanto vovó costurando furos em nossas roupas. Logo depois, com um aceno da varinha de condão, meus pontos sumiram. Nem pontos, nem cicatriz. Minha pele estava novinha em folha.
Os enfermeiros me empurravam com pressa e o médico vinha logo atrás.
Sentei no banco do carona de uma Ferrari vermelha e Dr, Robson no banco do motorista.
Dr. Robson deu a partida e o carro seguiu sozinho e muito devagar.
Os enfermeiros iam atrás do carro, andando e cantando hip hop. E umas mulheres vindas não sei de onde davam piruetas e dançavam street dance.
O carro andou menos de um metro e parou.
Uma multidão enfurecida me carregou para dentro de um parque de diversões.
Odeio montanhas-russa mas foi o primeiro brinquedo que eu fui. Meu estômago subia e descia de acordo com as voltas da montanha-russa. O vento forte estava empurrando meus lábios para trás, me obringando a sorrir.
Meus olhos estavam se irritando com a luz forte e pude distinguir o relógio do hospital do céu claro qua estava acima de mim. Foi a última coisa que vi antes de fechar os olhos com força.


- Olha doutor, ela está sorrindo.
- Sim. Pena que é só até a anestesia acabar.